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Sim, andar a pé no tempo do Covid-19, para entrarmos na Primavera com sanidade

É uma recomendação partilhada pelos especialistas em saúde pública e atividade física.
Foto: Reinhart Julian-unsplash

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Neste tempo de emergência e stress com o Covid-19 é ainda mais essencial desenvolvermos a rotina de atividade física, e o modo mais fácil é cultivarmos o hábito de um passeio diário a pé, necessariamente, nestes dias de imperioso distanciamento físico, sozinhos. Mantendo o distanciamento físico de pelo menos um metro e meio em relação a qualquer outra pessoa, mesmo alguém que faça parte do grupo mais íntimo.

A caminhada diária, perto de casa, num lugar sem outras pessoas acumuladas no mesmo espaço, de preferência num parque ou jardim, é um modo de melhor gerirmos a tensão destes tempos de tanto colapso e, ao mesmo tempo, compensar a interrupção prolongada da atividade física em quadro de academias de desporto, ginásios, piscinas ou campo de treinos encerrados.

É relevante o benefício físico, psicológico e social de, nesta época de auto-confinamento andarmos a pé, em caminhadas programadas (por exemplo 30 minutos em cada dia). Estimulamos o coração e aliviamos o stress na cabeça.

Podemos ainda acrescentar a oportunidade para meditar ou praticar mindfulness enquanto andamos a pé nesse passeio diário.

Erin Khar, 46 anos, escritora norte-americana, autora do livro “Strung Out: One Last Hit and Other Lies That Nearly Killed Me”, publicado neste fevereiro de 2020, conta ao The New York Times que, “depois de ter lutado contra a depressão e ansiedade” (passou por experiências de dependência de drogas) descobriu “a importância do escape”. Explica que, confrontada com situações de tensão, “a caminhada, de preferência longa, alivia a pressão ao libertar neurotransmissores.”

O poeta Walt Whitman, um dos autores mais influentes da literatura universal celebrou o valor dos longos passeios a pé para combater a ansiedade e até o desespero. Whitman escreveu, em 1882, em Specimen Days, que o passeio diário por ruas e parques de Nova Iorque é “o melhor e mais eficaz remédio para a alma”.

Sabemos que as crianças gostam de imitar os adultos. Motivar os filhos para o andar a pé, incorporando-os na caminhada, seguindo as distâncias máxima segurança, é uma forma de as manter entretidas e ocupadas. Já se sabe, claro, o caminhar das crianças é correr e saltar. Há que encontrar soluções criativas. Pode ir para a caminhada com uma corda e pelo meio pular um pedaço ou levar uma banda elástica para juntar alguns exercícios de força.

Ansiedade e incerteza são grandes amigas do stress, e o stress, como todos sabemos, mata. Nestes tempos de necessário isolamento social físico, se ficamos muitas horas focados num ecrã acabamos por colapsar. Uma caminhada é salvadora.

Até mesmo um apenas pequeno passeio faz diferença gigante nesta temporada de inédita experiência de guerra ao coronavirus. É uma recomendação partilhada pelos especialistas em saúde pública e atividade física. Uma grande mais-valia para o coração, para a cabeça e para o corpo todo. É uma garantia da nossa sanidade nesta entrada na Primavera sob a alta pressão deste coronavirus.

Estudo genético com centenas de milhar de pessoas conforta a conclusão de que a atividade física previne a depressão

Karmel Choi, entrevistado pelo The New York Times para comentar as conclusões deste estudo que liderou, reconheceu que a randomização mendeliana “é um exercício matemático, com profundidade, mas a vida real está exposta a influências que superam a determinação genética”, no entanto, estes resultados fornecem “fortes evidências” de que a atividade física é um contributo relevante para combater a depressão.

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