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As cidades já estão a mudar

Antes da pandemia já quase todas as grandes e médias cidades pelo mundo estavam a criar vias pedonais e pistas cicláveis. Agora, a nova realidade introduzida pela Covid-19 apressa o passo da mobilidade ativa.

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O apelo de investigadores: caminhar apesar do confinamento.

Conseguir aumentar de 4.000 para 8.000 o número de passos acumulados em cada dia é um provável contributo para redução do risco de morte prematura, é o que aponta um estudo, feito por uma equipa de investigadores que inclui o português Pedro Saint-Maurice, dos National Institutes of Health e Centers for Disease Control and Prevention, com observação de 4840 participantes. É um estudo publicado no JAMA.

Coincidentemente, um documento dos investigadores Sarah Koch, Jill Litt, Carolyn Daher, and Mark Nieuwenhuijsen, do Instituto de Salud Global [ISG], de Barcelona, adverte para graves problemas na saúde global, decorrentes do confinamento pelo covid-19. Este Instituto de Salud Global resulta de uma aliança entre “La Caixa”, universidades e centros clínicos, e o documento agora publicado surge como apelo para que, apesar do confinamento, sejam “adotadas medidas que facilitem a prática de atividade física”, designadamente “por pessoas menos favorecidas que vivem em apartamentos pequenos sem acesso a jardins ou terraços de açoteia”. Esta intervenção do ISG tem em conta as mais drásticas limitações de movimentos impostas pelo confinamento em Espanha. O documento refere que ao fim da primeira semana de confinamento em Espanha, os níveis de atividade física tinham sofrido redução de 38%. Acrescenta, comparativamente, que “em 18 de abril os espanhóis caminhavam 90% menos do que o verificado na avaliação feita no passado 13 de janeiro.”

Este documento do ISG faz recomendações para o desconfinamento, designadamente que sejam ativadas campanhas de incitamento a deslocações a pé ou de bicicleta em vez do recurso aos transportes públicos ou ao automóvel. É também defendido que vários parques de estacionamento e passeios marítimos sejam libertados de automóveis e, complementarmente, instalados pontos frequentes de higiene e de desinfeção das mãos.

O estudo referido na abertura desta notícia e publicado no JAMA inclui uma alternativa que, parcialmente, responde à preocupação manifestada pelo ISG: em última instância, caminhar  dentro de casa. Este estudo da equipa de investigadores que inclui Pedro Saint-Maurice anota que quem acumula 8.000 passos em cada dia reduz para metade o risco de doença cardiovascular, cancro e outros problemas, em relação a quem caminha apenas 4.000 passos por cada dia. Esta investigação publicada no JAMA reduz a importância da intensidade no ritmo da caminhada. O que traz benefício é desenvolver atividade física. Andar a pé é a mais acessível.

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