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As cidades já estão a mudar

Antes da pandemia já quase todas as grandes e médias cidades pelo mundo estavam a criar vias pedonais e pistas cicláveis. Agora, a nova realidade introduzida pela Covid-19 apressa o passo da mobilidade ativa.

Robustas mudanças para mobilidade mais ecológica, mais segura e mais saudável estão a chegar às cidades mais atentas. Objetivo: menos emissões poluentes, menos riscos de contágios em transportes onde as pessoas se amontoam e o benefício da prática de atividade física.

As lideranças municipais, de Paris a Auckland, de Berlim a Bogotá, de Londres a São Paulo, de Milão à Cidade do México, já estão a avançar a transformação da vida nas cidades, com o impulso de reduzir possibilidades de propagação do vírus.

Em países cuja cultura os colocam muito dependentes do automóvel, como é o caso Estados Unidos, do Canadá e da Austrália, já estão a ser introduzidas transformações nos semáforos para que os peões, nas passadeiras, deixem de precisar de premir um botão para abrir a luz verde para a passagem do peão.

Em Paris, a “maire” Anne Hidalgo (recandidata e na frente das sondagens) quer impulsionar a revolução para a “cidade do ¼ de hora”. O que é isto? É a cidade onde cada residente tem todos os serviços essenciais a uma distância de casa que não excede os 15 minutos a pé. A ambição é a de transformar, em modo ecológico, a organização urbana da cidade. Prevê a criação de lugares multiusos, com os recreios das escolas a funcionarem ao fim de semana como parque apetecível para os mais novos, com as bibliotecas a continuarem abertas à noite e a agregarem salas para espetáculos, com multiplicação de lojas para o cidadão onde há resposta aos serviços essenciais e tudo enquadrado pela transformação da paisagem  urbana: ruas com passeios alargados e dominantes, vegetalizados, com faixas cicláveis e a possibilidade muito limitada de uso de uma faixa de rodagem para automóveis. Outras ruas com uso 100% pedonal embora com um corredor para bicicletas.

Em Milão, cidade tão martirizada pelo vírus, acabam de ser aprovados mais 36 quilómetros de vias dedicadas aos peões e aos ciclistas.

Em Berlim, o bairro Friedrichsain-Kreuzeberg, frequentado por gente criativa, com muitos ateliês, bares, restaurantes e casas para espetáculos, conseguiu transformações essenciais [https://mobycon.com/wp-content/uploads/2020/05/FrKr-Berlin_Guide-EN.pdf ] que ficaram prontas no tempo extraordinário de 10 dias. Em resposta à pressão da mobilidade em época de coronavirus foram abertas vias cicláveis em faixas antes dedicadas aos automóveis. Esta transformação foi anunciada como temporária, está em teste. Mas a intenção é a de que possa ser incubadora de uma transformação permanente e seguida por outras cidades.

As recomendações de pelo menos um metro e meio de distância entre pessoas estão a caminho de redifinir as bases do espaço urbano e os modos de convivência nas cidades. É necessária muita criatividade para resolver a contradição entre os desejos de interação humana e a necessidade de distância cautelar sanitária. A tendência é para a passagem das vias estreitas de antes para caminhos largos e multiplicação de parques onde a interação humana é conseguida com a distância imposta pelo covid-19.

Sempre com cada vez mais espaço para andar a pé ou pedalar.

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